Os pilares desta história
são Pilar, Breno e o gato,
à Amazônia eles vão
para investigar um fato,
se era o homem no jornal
pai sumido, não boato!
Foi julgada esquisita,
— e era isso muito chato! —
pois Pilar não conhecia
o pai que o destino ingrato
lhe roubara e... devolvia
num jornal tão inexato?!
Eles têm a rede mágica,
e já nela entrara o gato,
aparatam para lá,
pra floresta indo a jato,
prum barco cheio de redes,
navegando bem pacato!
Em mar de redes se deitam,
viajando com recato,
gato ali foi encontrado,
lambendo açaí num prato,
passeando no Amazonas,
ficou roxo — que barato!
Solimões, o rio barroso,
Rio Negro, em contato,
Que as águas não se fundiam
perceberam já no ato,
e fazendo mais amigos,
conversaram no aparato!
Pilar viu pirarucu,
que fora em vida insensato,
transformado, virou peixe,
por um grande assassinato,
que a Tupã enfureceu,
nesta lenda que relato!
Encontraram com a Iara,
o que quase deu num rapto,
pois o Breno foi à água
encantado como um pato,
mas sereia foi pescada,
me deixando estupefato!
Na floresta encantada,
mergulhada em um charco,
cataram fruta das árvores
sem ter que sair do barco,
e viram um lenhador
de juízo torto e parco!
Pois a árvore em perigo
de extinção estava a cargo,
Curupira apareceu
e foi feito então o embargo,
com seus porcos e morcegos,
deu pro homem fim amargo!
Ouviram jaguatirica
que chegava pelo mato,
caçando bicho-preguiça
que foi salvo pelo gato,
um namorador ligeiro,
que na fera deu um trato!
Cheiro de cobra sentiram...
Pescador foi enrolado!
Mas após tomar pedrada,
o bicho foi assustado
e fugiu deixando o homem,
de corpo todo quebrado!
Então pra salvar o homem,
Roberto foi procurado,
era o pesquisador,
do jornal já mencionado,
mas nesse primeiro instante
nada disso foi notado!
O mito da Cobra-Grande,
— a Boiúna! — foi narrado,
no princípio a cobra tinha,
fruto de tucum guardado,
com a noite dentro dele,
onde escuro foi selado!
Mas abriram-lhe os homens,
dias foram apagados,
noite eterna tomou conta,
‘té que foram restaurados
por Boiúna que tornou
em macacos os culpados!
Pilar nota que Roberto,
tendo a ele observado,
era o pesquisador
no jornal fotografado,
mas decide esperar
pra abordar o pai achado!
E pelas icamiabas,
foi o grupo aprisionado,
observando o ritual
por guerreiras realizado,
eram índias amazonas,
mas Pilar ficou de lado!
O colar muiraquitã,
em Roberto colocado,
revelou o amor à líder,
com seu brilho ritmado,
e Pilar o deu a Breno,
que brilhou do amor guardado!
Dia após à aventura,
o segredo foi contado:
“É você meu pai, Roberto?!”
Respondeu, emocionado:
“Eu não sou, infelizmente…”
Choro e pranto revoltado!
No caminho para casa,
em Belém, lá no mercado,
em Salinas, praia linda,
foi o choro apaziguado:
“Mas será que encontrarei
meu paizinho tão amado?!”
Já em casa, descobriu,
a mãe tinha um namorado,
que cuidou do seu gatinho,
que fugiu desesperado
e sumiu na rede mágica…
Livro dois já foi lançado!
Flávia Lins quem escreveu
este livro que refaço,
num cordel pro professor
que trabalhou passo-a-passo,
quem quiser, que o declame
se a memória for de aço!
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