25/08/2026

Pão de Eló

— Eló, Eló, Eló!
Tu és pobre como só!
Trabalha a semana inteira
pra comprar um pão de ló!

— Mas o pão de ló está caro!
Está caro como só!
Eu levo a semana inteira
pra comprar um pão de ló!

— Mas então por que tu compras?!
Por que compras pão de ló?!
Se está caro como falas,
se está caro como só!

— Porque o resto é lero-lero,
quero-quero é pão-de-ló!
Que é gostoso que só vendo,
que é gostoso como só!

— Mas vai todo o teu dinheiro
pra pagar unzinho só!
Que é que custa uma semana
ficar sem um pão de ló?!

— O que custa é “a semana”
sem comer um pão de ló!
Imagine que tortura,
que penúria! Pense só!

— Tu não queres nem tentar,
nem sequer uma vez só,
e trocar por outro pão
que não seja um pão de ló?

— Ficar sem o meu pãozinho,
gostosinho, que é de ló?
Meu pãozinho apetitoso,
deleitoso como só?!

— Minha nossa, que exagero,
mas e nem um dia só?!
Tu não ficas um só dia
sem o tal do pão de ló?!

— Por uns dias até fico,
até seis de uma vez só,
só não fico uma semana...
Não abuse, tenha dó!

— Só que assim não é possível,
tem que ser muito socó
pra gastar de uma só vez
todo o ganho do suor!

Tu és mulo como a mula!
Tu és leso como só!
Trabalhando tanto, tanto,
gasta tudo, seu coió!

— A formiga só trabalha,
a cigarra canta o dó,
o ré, mi, fá, sol, lá, sí,
mas não canta em lá maior,

eu trabalho pra viver,
não pra ter e guardar só,
de que vale o sofrimento…
...sem comer um pão de ló?

— Mas assim não dá, meu pai!
Não tem como, minha avó!
Não tem nada que te faça
esquecer o pão de ló?!

— Chantilly, também morango,
mas se for de uma vez só,
e melhor é com café…
…e também com pão de ló!

— Tu és mesmo pãodelólatra…
— Sou, não nego, mas é só.
— É verdade, tu trabalhas…
— Pra pagar meu pão de ló.

“A lição de hoje é essa,
se aprender vai ser melhor,
todos temos um amor,
quem não tem está pior,

o de um é grande coisa,
o do outro é menor,
se você não tem o seu…
…então prove um pão de ló!”

14/08/2026

Belelélula

Que bélula,
a dona libélula!
Quem, tendo asas,
não quereria quatro,

como élula?

Abaixo os Ponteiros

Quem é você
p’ra me
diz
e
r

que é que
eu tenho
que fa
zer
?
!

Irmãos Cara-mais-ó

Os irmãos Cara-mais-ó,
cara lavada que só,
um é tapado, o outro bocó,
não leem! só falam!
que dó!

Visitas da Biblioteca

São só duas professoras,
mas são muito diferentes,
uma chega devagar,
a outra vem de repente,
uma gosta da verdade,
a outra… de quem não mente.

No alto do prédio ao lado,
assentou-se um passarão
e ficou lá vigiando
toda nossa animação;
parecia um bem-te-vi,
dimensão de bem-te-vão.

Às vezes são barulhentos,
às vezes são uns amores,
um começa a uivar,
todos viram trovadores,
o som que vem da janela
é o coral dos cães cantores.

No alto da escadinha,
a biblioteca bacana
repousa, escondidinha,
visitas toda semana,
guardando histórias da vida
“Gostosas como bananas!”

13/08/2026

Resumo de Pilar na Amazônia

Os pilares desta história
são Pilar, Breno e o gato,
à Amazônia eles vão
para investigar um fato,
se era o homem no jornal
pai sumido, não boato!

Foi julgada esquisita,
— e era isso muito chato! —
pois Pilar não conhecia
o pai que o destino ingrato
lhe roubara e... devolvia
num jornal tão inexato?!

Eles têm a rede mágica,
e já nela entrara o gato,
aparatam para lá,
pra floresta indo a jato,
prum barco cheio de redes,
navegando bem pacato!

Em mar de redes se deitam,
viajando com recato,
gato ali foi encontrado,
lambendo açaí num prato,
passeando no Amazonas,
ficou roxo — que barato!

Solimões, o rio barroso,
Rio Negro, em contato,
Que as águas não se fundiam
perceberam já no ato,
e fazendo mais amigos,
conversaram no aparato!

Pilar viu pirarucu,
que fora em vida insensato,
transformado, virou peixe,
por um grande assassinato,
que a Tupã enfureceu,
nesta lenda que relato!

Encontraram com a Iara,
o que quase deu num rapto,
pois o Breno foi à água
encantado como um pato,
mas sereia foi pescada,
me deixando estupefato!

Na floresta encantada,
mergulhada em um charco,
cataram fruta das árvores
sem ter que sair do barco,
e viram um lenhador
de juízo torto e parco!

Pois a árvore em perigo
de extinção estava a cargo,
Curupira apareceu
e foi feito então o embargo,
com seus porcos e morcegos,
deu pro homem fim amargo!

Ouviram jaguatirica
que chegava pelo mato,
caçando bicho-preguiça
que foi salvo pelo gato,
um namorador ligeiro,
que na fera deu um trato!

Cheiro de cobra sentiram...
Pescador foi enrolado!
Mas após tomar pedrada,
o bicho foi assustado
e fugiu deixando o homem,
de corpo todo quebrado!

Então pra salvar o homem,
Roberto foi procurado,
era o pesquisador,
do jornal já mencionado,
mas nesse primeiro instante
nada disso foi notado!

O mito da Cobra-Grande,
— a Boiúna! — foi narrado,
no princípio a cobra tinha,
fruto de tucum guardado,
com a noite dentro dele,
onde escuro foi selado!

Mas abriram-lhe os homens,
dias foram apagados,
noite eterna tomou conta,
‘té que foram restaurados
por Boiúna que tornou
em macacos os culpados!

Pilar nota que Roberto,
tendo a ele observado,
era o pesquisador
no jornal fotografado,
mas decide esperar
pra abordar o pai achado!

E pelas icamiabas,
foi o grupo aprisionado,
observando o ritual
por guerreiras realizado,
eram índias amazonas,
mas Pilar ficou de lado!

O colar muiraquitã,
em Roberto colocado,
revelou o amor à líder,
com seu brilho ritmado,
e Pilar o deu a Breno,
que brilhou do amor guardado!

Dia após à aventura,
o segredo foi contado:
“É você meu pai, Roberto?!”
Respondeu, emocionado:
“Eu não sou, infelizmente…”
Choro e pranto revoltado!

No caminho para casa,
em Belém, lá no mercado,
em Salinas, praia linda,
foi o choro apaziguado:
“Mas será que encontrarei
meu paizinho tão amado?!”

Já em casa, descobriu,
a mãe tinha um namorado,
que cuidou do seu gatinho,
que fugiu desesperado
e sumiu na rede mágica…
Livro dois já foi lançado!

Flávia Lins quem escreveu
este livro que refaço,
num cordel pro professor
que trabalhou passo-a-passo,
quem quiser, que o declame
se a memória for de aço!