Pessoas bonitas
são, por vezes, como frascos
de um perfume
que, por vezes, têm frascos
belos,
e atrativos,
e apreensivos
nos pomos a abri-los
só p'ra descobrir, surpresa nossa!
Que a propaganda,
ah, a propagada
era enganosa.
Mas, ao menos
sobre os perfumes sabemos
que se os fechamos,
guardamos,
colocamos sobre a mesa
em pano rendado,
florido,
bordado,
eles lá ficarão:
belos.
Fechados.
Já as pessoas bonitas...
Bem, as pessoas bonitas
não se pode guardar,
elas vêm
até nós
e se abrem,
e se infamam,
não ficam paradas,
belas,
fechadas,
— quem dera! —
elas se abrem
p'ra mostrar que as aparências,
as aparências enganam!
Porque uma pessoa bonita por fora é,
apenas, necessariamente,
bonita por fora,
mas, infelizmente,
no erro
incorremos, comumente,
de esperar que com a beleza virá mais,
necessariamente.
Não virá.
Não virá porque a beleza
nada tem a ver com o conteúdo.
Não virá porque, sobretudo,
a beleza nada tem a ver com o caráter,
nada tem a ver com a personalidade,
nada tem a ver com a bondade,
nada tem a ver com nada
que importe
de verdade.
"Era tão bonitinho..." "Era tão bonitinha..."
É,
é verdade,
dá uma dó, é uma tristeza,
mas a verdade, você sabe:
a beleza, ah a beleza,
ela não se põem na mesa!
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