As mesmas mãos
que afagam e fazem carinho
são as mãos que enforcam,
que batem,
que agridem.
As mesmas mãos
que assam o pão,
são as mãos que puxam o pino da granada,
que apertam o gatilho,
que enfiam a faca.
As mãos que protegem
são as mãos que atacam.
As mãos que curam
são as mãos que matam.
Essas mesmas mãos que sentem teu calor
são as mãos que te empurram
pra longe por frieza.
Essas mãos que te acariciam os cabelos
são as mesmas que maltratam
e torturam por vileza.
Essas mãos, essas mãos que criam
são as mãos que destróem,
que corrompem, que estragam.
Essas mãos que fiam
são as mãos que rasgam.
Essas mãos que guiam
são as mãos que esmagam.
Tanto que o homem faz pelas mãos,
tanto bem, tanto mal,
tanto tanto;
ações que se faz para o bem,
ações que se faz com razão,
ações que se faz para o mal,
ações que se faz em vão.
O homem é dual,
suas mãos, como ele próprio:
às vezes causam amor,
às vezes medo, aflição.
As mãos certas são divinas,
as erradas, perdição.
Quais tuas mãos? Que faz com elas?
Quais tem sido suas escolhas?
Tem feito coisas que te orgulhas?
Ou coisas que te envergonhas?
Tua boa mãe te bateria na mão?
Teu bom pai te apertaria a mão?
Teu amado ou amada te pediria a mão
tendo visto ele nela alguma boa razão?
Se não, ainda há tempo;
lava essas mãos,
e lava tua alma,
põem a mão na consciência
e a tua alma acalma;
seja a mão que afaga,
seja a mão que dá prazer,
seja a mão que acaricia,
seja a mão que faz viver.
E se precisar de ajuda,
segura a mão
e vai.
Nenhum comentário:
Postar um comentário