24/07/2021

A Juventude Está Perdida!

Como?
Como é possível?
Que você diga, hoje, que não crê
em como o hoje está assim tão ruim
e que antigamente, sim, que era bom?
Pois, sim? Como assim?

Sendo que em 1980, quarenta anos atrás, sua mãe dizia, vivaz:
"Ah, não! Isto não está bom!" Assim, em alto e bom som, falava
com saudade de antes ainda, saudosismar que inda não finda,
coroado pela célebre frase: "Antigamente-é-que-era-bom!"

Porém, embora, contudo, no entanto, entretanto, outro tanto
de quarenta anos atrás, há mais tempo e mais tempo pra trás,
naqueles anos quarenta, a mãe de sua mãe, dona Benta, dizia:

"Está péssimo!
Horrível,
bisonho,
medonho,
tristonho,
enfadonho;
deponho!
Seu tempo?!
No-jen-to!
Meu tempo?
Meu tempo, sim, era um sonho!!"

Mas...
em 1900, quarenta anos a mais (a menos),
adivinha? A mãe da mãe de sua mãe (bisavó),
como a mãe da mãe da mãe de sua mãe (tataravó)
antes dela, gritava de alguma janela
para as jovens que passavam
(de fora as canelas):

"A juventude está perdida!
Pervertida, desinibida, coisa mais descabida!
Hoje, não é possível! Antigamente, sim, era incrível!
Não se faz nada como antigamente!
E este povo é todo indecente!"
Repetindo tudo que se diz
— hoje e sempre!

Será que, hoje e sempre, todo mundo só mente?
Ou alguma coisa está certa? Uma coisa há sempre em comum;
pois com o passar da vida e o chegar da idade estendida,
para todos, hoje e agora, ontem, outrora,
a juventude está mesmo perdida.
— Sua juventude!

O passado é como caixa de Pandora;
abrir, e ver o que havia de bom no passado,
liberta todos os males do mundo, no presente,
e só o que era bom permanece, lá dentro, guardado.

Lembre, sim, do que foi bom no tempo que foi embora,
mas não esqueça que ainda está vivo — vive! Comemora!
e que, por isso, o seu tempo, seu tempo é "agora"!

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