17/05/2019

A Menina Cujo Nome Era Sua Sina

Mariazinha era uma menina bem jeitosa, e também muito educada,
Mas não levava desaforo pra casa, pois também sabia ser tinhosa

Pequenina de tamanho, mas grande em sagacidade,
Certa vez indo à cidade, foi a um circo do estrangeiro
Lá chegando, um homem de branco e chapéu bem aprumado
Veio vindo pro seu lado e de um jeito inesperado
Deu uma gargalhada, tão alta e tão malvada, que estremeceu o povo inteiro

Sua mãe, tadinha, e sua irmã pequenininha quase tiveram um treco
Seu pai estalou-se reto com aquele riso demente
Mariazinha tomou-lhe a frente
E enquanto o povo escapulia e o homem de branco ria
Deu-lhe um coice nas canelas que sujeito até cantou um repente

"Desgraçada, lazarenta, menina pestilenta, de onde foi que tu saíste?!?
Cabra macho não existe sem ter medo de mim não,
Gavião até come alpiste e leitinho bebe o leão,
Do boi até cai os chifres e se borra a assombração
Quem me peite está pra nascer, isso é algo que eu quero ver
Aqui no circo do Lú…"

Mas, de repente, o sujeito se recompôs, interrompendo o que ia dizer,
E Maria, ali parada, ficou sem seu nome saber
O sujeito deu-lhe as costas e saiu dali ligeiro, de tudo todos se esqueceram,
Entrando no circo se perderam na diversão e no lazer

Mas, quando sua família entrou numa tenda, uma fumaça tomou tudo
Por uma fenda espiou Maria, e viu que na fumaça havia alguém com um rabo pontudo;
Um cheiro de enxofre e um terno branco, o sujeito pegou sua família e então sumiu no ar
Mas ela tempo não perdeu, até tremeu, mas se benzeu e então se escafedeu, foi sua família salvar

E assim foi mundo afora, andando, andando sem demora
E procurando, andou, andou, até que às portas do inferno chegou

Na entrada, encontrou o cão de três cabeças
Bicho besta! Veio latindo, as três cabeças zunindo
Para morder Mariazinha
Mas ela, pequenininha, escapuliu por entre os dentes do bicho
Tomou um chá de sumiço que o bicho até perdeu seu cheiro
E a menina, apertando o passo, chegou logo ao quinto dos infernos
Onde esperava o Cão verdadeiro

“Veio longe pra diabo, pestilentinha!” Zombou o cão, matreiro
“Agora a porca queima o rabo! Aqui o fogo está do meu lado,
Seu futuro está selado, pois sou senhor do inferno inteiro!!!”

O Cão se agigantou e as labaredas rugiram, chicotada e ranger de dentes,
Mariazinha, embora temente, sentiu medo em seu coração
Quis fugir, quis desistir, pois nem homem, nem mulher sozinha,
Quem dirá uma menininha, pode enfrentar o Cão
Mas então nesse momento de terror e aflição
Ouviu de sua mãe o lamento, a irmã chorando, o pai sofrendo
E se lembrou da oração!

“Pai Nosso que estais nos Céus”

O Cão petrificou!

“Santificado seja o vosso Nome”

Seu tridente despedaçou.

“Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu.”

O Cão se jogou no chão, tremendo que nem papel
Maria orou com fé e então disse no final

“Não nos deixeis cair em tentação
Mas livrai-nos de todo o Mal!!!

Amém."

E com o fervor de seu louvor, as chamas se dissiparam
O senhor lhe atendeu, tudo que é anjo do céu desceu
Maria e sua família se salvaram!

E esta história assim termina
Que já se ouviu de todo lado
A história de uma menina
Cujo nome era sua sina
E que, com Deus, venceu o diabo!




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