05/06/2018

Me Explica, Por Favor

Quem inventou o amor?
Por favor me fale.
Quem sabe como funciona?
Já viveu, sentiu,
Compreendeu cada detalhe?
Se esta dúvida comove,
Por favor, não cale.
Me explique cada nuance, o que é esse romance
Que dizem, aos quatro ventos
Que da vida,
É o que na vida mais vale?

Amor...
Mamãe se arruma, frente ao espelho; no cabelo uma flor.
Papai observa, de joelhos; um sorriso e bom humor.
“Estou bem?” Ela indaga; vaidosa, preocupada.
“Estás linda, minha amada, e ainda algo além.
A Branca, aquela de Neve, frente a ti não é ninguém.”
Ela ri. Então sorri.
Ele a beija. Então a mim.
E me contam do amor profundo que me trouxe assim ao mundo
Como um conto, não-de-fadas, felizes “sempre”, não só no fim.

Outra pessoa, que o nome preservo, um dia diz, bem consternado:
“Amor é apenas sorte e a moeda nem sempre cai do mesmo lado.
A maioria, esta é a verdade, quer de você o que tem pra dar
Se não fizeres os seus gostos, com você não vão ficar.
Têm condições, te julgam sempre;
Se o dinheiro acaba, o amor também.
Não é amor, é evidente;
Não amam você, mas algo além.
Uma mentira, um você inventado,
Que tu te tornas se diz amém.”

Nas páginas de um lindo livro, de um poeta ou escritor,
No teatro ou no cinema, nas palavras de um grande ator,
Quando a princesa encontra o príncipe,
E o Pequeno Príncipe cuida da flor,
Quando o herói salva a donzela, e a canção exalta o amor,
Quando esse amor vence as mazelas, triunfando por sobre a dor,
É tão lindo, tão empolgante, apaixonante pensar no amor!
Mas o que é verdade nestas histórias?
O que são memórias?
O que é ficção?
O poeta vive o que fala? Ou fala de algo que não sente não?
Será que posso sonhar com aquilo,
Ou tudo aquilo é só invenção?

Na escola, enquanto escrevo e o professor explica a matéria,
Colega ao lado sofre de amor, não ouve nada, a coisa é séria.
Mal quer comer, mal quer falar
E não consegue se concentrar.
Só quer fugir e encontrar
O “amor de sua vida” e lhe abraçar.
Porque já descobriu o que é que importa,
Já sabe tudo e não suporta
Que alguém lhe diga, (e eu concordo, eu sinto,)
Que este “maior amor de sua vida” é o quarto ou quinto.
No fundo, no fundo, tudo que ama
É só uma cara bonita
E fazer drama!

E como as pessoas falam de amor e amar!
Meu Deus!
Escuto tanto sobre isso que já sei até imitar:
Você não tem idade pra isso.
Você nem sabe o que é o amor.
Essa não serve pra compromisso.
Se não casar, é pecador.
Isso é paixão, é fogo de palha.
Aquilo é interesse; aquele é canalha.
Amar é sofrer. Amar é se dar.
Uma pouca vergonha!
Como a ti mesmo, teu próximo deve amar.
O amor é cego.
É a tampa da panela.
A culpa é toda dele.
A culpa é toda dela.
Se você me ama, vai ter que escolher.
Pra ficar comigo tem que não sei o que.
E se não sei o que mais, então nunca amou.
Te amo pra sempre.
Desculpe, acabou.
Não dependa de homem.
Só o amor pode salvar!
É tanta coisa que falam que nem sei o que pensar.

E agora, José?

José, o que eu faço?

Pesando bem, talvez, só neste caso
O melhor seja mesmo não pensar,
Deixar pra lá, brincar, crescer
O amor pode esperar
Tenho uma infância pra viver, adolescendo na primavera
Ah, quer saber?

A vida adulta...
Ela me espera!

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