04/10/2018

Contos das Fadas

– Vou contar uma história que aconteceu há muito tempo atrás
Num lugar "encardido" (– Ei!) havia uma fada "magrinha" (– Eeei!) Vazacadabra!
Ninguém lhe dava bola, mas também! Não deixava ninguém em paz
Tinha um cheiro fediiido! E falava demais!

– Ei, essa história não é assim,
O lugar era "en-can-ta-do" e a fada era "ma-dri-nha"
Tooodos gostavam dela (– Aham…)
E era amiga da rainha (– Interesseeeira...)
Era cheirosa! E falava pouco! (– Uuuh!)
Falava pouco sim!
Você só fica inventando essas coisas
Porque está falando de mim.

– Eeeeu? Eu não, imagiiiiina!
É de "outra" fada fedida que eu falo.
(– Mas que abuso!)
Essa é minha opinião, não adianta, eu não me calo.

– Opiniões podem estar erradas, sabia?
Temos que analisar os fatos.
(– Ih, lá vem...)
Pode contar a sua história, eu deixo barato.
Mas cuide!

– Com o que?

– Você pode acabar...
...Engolindoseussapos! Hahahaha.

– Ah, mas é sempre assim,
Ninguém nunca, nunquinha, teve pena de mim
No começo éramos como irmãs, amigas.
Irmãs-amigas.
Mas depois, vai vendo, conforme eu ia crescendo
Tuuudo que eu fazia era errado, era crítica de todo lado
Só porque eu não gostava de branco, virei a bruxa, que puxa!
“Ai, como ela é feia!” “Ai, como ela assusta!”
Meu gato preto? Dava azar.
E meu morceguinho? Ixi! Não podia nem falar.
Eu era a ovelha negra da família!
Tudo ruim, tudo negro!
Aliaaás…
Ovelha negra...
Magia negra…
Viúva negra…
Peste negra…
Por que é que as pessoas invocam tanto com a cor negra?
Nunca vi tanto preconceito!
Desde quando a cor define alguma coisa do seu jeito?

– Nisso eu concordo.

– Né? Que burros! (– Uhum.)

– Mas tá, agora chega. Chega, chega, chega.
Você já falou demais! Caladacadabra!

– Humpf, tá bom, tá bom, vai.
Vamos ouvir… A preferidinha do papai.

– Que ultraje!
Eu até podia ser a preferida, a mais querida… Dos nossos pais!
Mas lá na rua, e até… Na lua! Quem tinha os amigos mais legais
Era você, a descolada, a de atitude e tudo mais.
O Drácula, o Frankenstein, o lobisomem e muitos mais!
Enquanto eu?
Eu só estudava, me comportava, me esforçava de coração,
Mas o papai? Sempre falava:
“Não fez mais que a obrigação.”
Eu tinha que dar exemplo, ser exemplar, fazer o bem
E no fim, o que eu ouvia?
“Você não é melhor do que ninguém.”
Minha varinha? Sempre asseada.
E a musiquinha? Bem decorada.
Bibidi-bobidi, bibidi-bobidi, bibidi-bobidi-BAH! Cansei!
Cansei de ser fada! E de atender desejos
Esse povo quer tudo de mão beijada!
Quer dinheiro, mas não economiza
Quer saúde, mas não se cuida
Quer paz, mas vive de briga
Assim não dá!

– Né? Que tontos!
Ficam dizendo que alguém tem que fazer alguma coisa
Mas todos, sem exceção,
Estão muito ocupados com sua…
“Ocupação”

– Ficam esperando alguém aparecer do nada
E resolver tooodos os seus problemas
É muita pataquada!

– É, nós que somos de faz de conta…

– E eles que acreditam em contos de fada!

– Que bobos!

– Uhum!

...

Essas são histórias que acontecem todos os dias, à nossa volta,
Num lugar de verdade, contadas por duas fadas madrinhas:
Uma delas era diferente, por isso discriminada,
A outra atendia desejos, por todos muito abusada.
Brigavam um pouquinho, se alfinetavam
Com muito carinho, no fundo se amavam.
Por seguirem elas mesmas todos os dias em frente,
Viveram, dia após dia...

Felizes para sempre!!!



05/06/2018

Me Explica, Por Favor

Quem inventou o amor?
Por favor me fale.
Quem sabe como funciona?
Já viveu, sentiu,
Compreendeu cada detalhe?
Se esta dúvida comove,
Por favor, não cale.
Me explique cada nuance, o que é esse romance
Que dizem, aos quatro ventos
Que da vida,
É o que na vida mais vale?

Amor...
Mamãe se arruma, frente ao espelho; no cabelo uma flor.
Papai observa, de joelhos; um sorriso e bom humor.
“Estou bem?” Ela indaga; vaidosa, preocupada.
“Estás linda, minha amada, e ainda algo além.
A Branca, aquela de Neve, frente a ti não é ninguém.”
Ela ri. Então sorri.
Ele a beija. Então a mim.
E me contam do amor profundo que me trouxe assim ao mundo
Como um conto, não-de-fadas, felizes “sempre”, não só no fim.

Outra pessoa, que o nome preservo, um dia diz, bem consternado:
“Amor é apenas sorte e a moeda nem sempre cai do mesmo lado.
A maioria, esta é a verdade, quer de você o que tem pra dar
Se não fizeres os seus gostos, com você não vão ficar.
Têm condições, te julgam sempre;
Se o dinheiro acaba, o amor também.
Não é amor, é evidente;
Não amam você, mas algo além.
Uma mentira, um você inventado,
Que tu te tornas se diz amém.”

Nas páginas de um lindo livro, de um poeta ou escritor,
No teatro ou no cinema, nas palavras de um grande ator,
Quando a princesa encontra o príncipe,
E o Pequeno Príncipe cuida da flor,
Quando o herói salva a donzela, e a canção exalta o amor,
Quando esse amor vence as mazelas, triunfando por sobre a dor,
É tão lindo, tão empolgante, apaixonante pensar no amor!
Mas o que é verdade nestas histórias?
O que são memórias?
O que é ficção?
O poeta vive o que fala? Ou fala de algo que não sente não?
Será que posso sonhar com aquilo,
Ou tudo aquilo é só invenção?

Na escola, enquanto escrevo e o professor explica a matéria,
Colega ao lado sofre de amor, não ouve nada, a coisa é séria.
Mal quer comer, mal quer falar
E não consegue se concentrar.
Só quer fugir e encontrar
O “amor de sua vida” e lhe abraçar.
Porque já descobriu o que é que importa,
Já sabe tudo e não suporta
Que alguém lhe diga, (e eu concordo, eu sinto,)
Que este “maior amor de sua vida” é o quarto ou quinto.
No fundo, no fundo, tudo que ama
É só uma cara bonita
E fazer drama!

E como as pessoas falam de amor e amar!
Meu Deus!
Escuto tanto sobre isso que já sei até imitar:
Você não tem idade pra isso.
Você nem sabe o que é o amor.
Essa não serve pra compromisso.
Se não casar, é pecador.
Isso é paixão, é fogo de palha.
Aquilo é interesse; aquele é canalha.
Amar é sofrer. Amar é se dar.
Uma pouca vergonha!
Como a ti mesmo, teu próximo deve amar.
O amor é cego.
É a tampa da panela.
A culpa é toda dele.
A culpa é toda dela.
Se você me ama, vai ter que escolher.
Pra ficar comigo tem que não sei o que.
E se não sei o que mais, então nunca amou.
Te amo pra sempre.
Desculpe, acabou.
Não dependa de homem.
Só o amor pode salvar!
É tanta coisa que falam que nem sei o que pensar.

E agora, José?

José, o que eu faço?

Pesando bem, talvez, só neste caso
O melhor seja mesmo não pensar,
Deixar pra lá, brincar, crescer
O amor pode esperar
Tenho uma infância pra viver, adolescendo na primavera
Ah, quer saber?

A vida adulta...
Ela me espera!

Poema Para os Desavisados

Olá, bom dia, tudo bem com você?
Vim aqui lhe falar, estava querendo te ver.
Queria te ver porque... Sem você não existo.
Mas, pelo visto, não consegue entender,
Que eu não vivo sem você
E não há nada pra ver onde espera me encontrar.
Sabe? Lá na frente, onde espera chegar?
Faz planos, planeja,
Tem sonhos e almeja...
Pois é, lá na frente, bem lá no futuro,
Sempre longe e obscuro; acordai, pois eu juro
Que é bem lá que eu não estou, e é pra lá que eu nunca vou.
Porque “eu” não posso viver onde "você" quer me colocar;
É “você” quem se engana, e não “eu” que te escapo.
Pode achar muito chato, mas vai ter que aceitar.
Se quiser me encontrar, olhe dentro de ti
E se disser “nada vi”, então precisa aprender
Que pra que eu possa nascer, você tem que mudar.
Agora pare!
Isso aí, pare aí, bem quietinho.
Espere só... Um minutinho, que eu já vou lhe explicar.
Você me coloca nas coisas, pensa que sou algo a alcançar.
Faz de mim objetivo, como um porto, lugar de além mar
Para onde o barco ruma, e onde deve aportar.
Mas não sou assim! Não sou coisa, objeto,
Como o chão, a parede ou o teto.
Sensação! É isso que eu sou.
E como sou emoção, emociono e me vou.
É.
Isso mesmo.
Venho e vou, parto a esmo.
Ficou triste? Emoção errada.
Mas é natural, não se escolhe o que se sente.
Mesmo que brigue, que tente,
Que a ti minta, ou aos outros,
Nada importa; emoção fingida? Verdade morta.
Tens que sentir de verdade, ou nunca terás a feli...
Ops!
Quase me entrego!
Não! Não tão fácil, me nego...
A deixar que você viva sem mim.
Porque eu quero você, quero entrar em você,
Preencher sua vida, e viver, quero sim.
Pois já disse, sem você nem existo,
Para viver necessito que me sintas bem no fundo de seu coração.
Bem, na verdade... Não!
Você sabe, isto de sentir com o coração... Não é verdade não.
Emoção, na realidade, é coisa da sua cabeça.
Isso mesmo! Mas o que "eu" não entendo mesmo
É porque que dizem que coisas da cabeça só existem na imaginação.
Você sabe, não é? Depressão, por exemplo, ela mata
E quando não mata, faz a vida não valer a pena.
Mas pena, pena mesmo, é que você não acredite,
Que prefira seu próprio palpite
Sobre algo que você não entende.
Gente sofre porque sente dor, não porque vai atrás da tristeza.
Gente é feliz porque dá amor, não porque me tem sobre a mesa.
Eu não sou um troféu, que te espera pra você conquistar
Eu não estou lá no céu, pra depois que esta vida acabar.
Não estou na TV, nas ensaiadas risadas das estrelas;
“Hahaha.”
“Parecer” ser feliz, te fazer querer vê-las
E te fazer querer ser como elas, é apenas o “trabalho” delas.
Eu não estou no dinheiro que você sai de casa, todo dia, ganhar,
Nem no amor mais perfeito, sem sequer um defeito, no qual a Disney te fez acreditar.
Não seja tolo, não caia nessa, nem procure alguém pra culpar.
Nenhum deles é mal;
Em geral, nem sequer imoral.
É “você” quem sonha com coisas que não se deve “sonhar”;
Coisas que não se sai mundo afora tentando “encontrar”.
Porque você busca satisfação, conquista, realização,
Tudo isto, somente para “me” transformar
Em “sua” realidade.
Mas, na verdade, eu não vivo em sonhos.
Eu estou dentro de você, esperando, a todo momento, no coração pra nascer.
Opa, na cabeça, esperando “na cabeça” pra nascer!
Venho da pele e do pescoço;
De seu sorriso, seu moço, de sua dança, dona moça;
Do abraço apertado, do seu ente amado, que você chega em casa e nem olha;
Reclama da louça, da roupa, prefere o cachorro ou o gato.
Venho da flor, do céu azul, da canção de amor, do rebolado.
Do doce de leite, ou outro a seu gosto, e do momento compartilhado.
Do sorriso da avó, do gol comemorado, da manhã de sol e até do inverno gelado.
Eu venho de qualquer lugar, se este lugar você souber apreciar.
De qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, que você aprenda a amar.
Coisas grandes? Besteira! Baboseira escorrida!
Eu venho mesmo, mas mesmo, mesmo, é das pequenas coisas da vida.
Mas então, já sabe quem sou?
Imagino, ou melhor, "espero" que sim.
Mas o que espero mesmo é que jamais esqueça mim;
Que guarde minhas palavras e sempre, sempre haja assim
Pra que sua vida seja repleta de mim:
A felicidade!
E para que nela eu nunca, nunca, jamais tenha fim.


Continua...

A luta acabou.
Finalmente é o fim.
Enfim posso descansar em paz.
O dever me chamou.
O melhor dei de mim.
E assim esta guerra deixarei para trás.

A morte sorri.
Ou será que ela ri?
Pensará que minha vida foi tragédia ou piada?
Tantas coisas vivi.
Tanto tanto senti.
Em seus olhos percebo, tudo aquilo era nada.

O coração me avisa.
Tum-tum, chega o fim.
Tum-tum, ai de mim.
Meus olhos se fecham e se vai minha vida.

Já vou agora. Pensei em ficar.
Mas o cansaço, o cansaço...
Só preciso descansar, descansar...
Mas o que é de repente esta luz,
Que me faz toda força voltar?
Estarei eu sonhando?
Ou um milagre me veio encontrar?


Cada Dia

Mais um dia, mais um amanhecer,
Mais uma chance de vitória,
Ou de ao menos sobreviver,

Sempre um tanto de liberdade,
Entre outro tanto de dever,

As certezas são só ilusões
Das quais você tenta se convencer,

Pois nada é certo, só pelo ontem ter sido assim,
O ontem é um morto, o hoje a hora de mudar seu fim.

O Anjo Negro

– Não tema, filho dos homens. Temor não é necessário. Tranquilize-se, sim. A vida é dom, mas temporário, – dizia o anjo ao aproximar-se, voz suave como as plumas de suas asas.

Sua voz era como a pena, sua figura como a espada. Asas negras como a noite, olhos ardentes como brasas.

Seguiu dizendo...

– Levarei sua alma, ore ou não por salvação. Medo só traz a dor desnecessária. Gritar só torna a morte em aflição. – Mas tive medo, e com o medo veio a dor.

O corpo inerte, paralisado.
Coração tomado pelo terror.
Me vi morrendo...

– Sh-shhhhh! Não grite, não grite. Isso, aceita o fim. É inevitável juntar-se a mim. Não há esperança e nem redenção.


E então assim, levou-me a alma de dentro de mim.

Tempos de Paz, Descanso e Amor

Na imensidão do planalto, quase sem fim
O verde pintava a terra
No tranquilo do longe, na paz dos confins
O cavaleiro voltava da guerra

O dever lhe chamara, e a ele atendera
O inimigo levando ao chão
E agora era hora, de ir sem demora
Atender o chamado de um coração

Sua luta findara, e a hora chegara
Em tempo voltava a seu lar
Nos braços da amada, que tanto esperara
Esta noite iria deitar


Qual

Centenas de corpos caídos, e apenas um lhe faz falta.
Centenas de almas perdidas, mas só uma a mais alta.
Se uma em três palavras você pudesse escolher,
Qual seria entre perdão, vingança e esquecer?