13/08/2026
Resumo de Pilar na Amazônia
são Pilar, Breno e o gato,
à Amazônia eles vão
para investigar um fato,
se era o homem no jornal
pai sumido, não boato!
Foi julgada esquisita,
— e era isso muito chato! —
pois Pilar não conhecia
o pai que o destino ingrato
lhe roubara e... devolvia
num jornal tão inexato?!
Eles têm a rede mágica,
e já nela entrara o gato,
aparatam para lá,
pra floresta indo a jato,
prum barco cheio de redes,
navegando bem pacato!
Em mar de redes se deitam,
viajando com recato,
gato ali foi encontrado,
lambendo açaí num prato,
passeando no Amazonas,
ficou roxo — que barato!
Solimões, o rio barroso,
Rio Negro, em contato,
Que as águas não se fundiam
perceberam já no ato,
e fazendo mais amigos,
conversaram no aparato!
Pilar viu pirarucu,
que fora em vida insensato,
transformado, virou peixe,
por um grande assassinato,
que a Tupã enfureceu,
nesta lenda que relato!
Encontraram com a Iara,
o que quase deu num rapto,
pois o Breno foi à água
encantado como um pato,
mas sereia foi pescada,
me deixando estupefato!
Na floresta encantada,
mergulhada em um charco,
cataram fruta das árvores
sem ter que sair do barco,
e viram um lenhador
de juízo torto e parco!
Pois a árvore em perigo
de extinção estava a cargo,
Curupira apareceu
e foi feito então o embargo,
com seus porcos e morcegos,
deu pro homem fim amargo!
Ouviram jaguatirica
que chegava pelo mato,
caçando bicho-preguiça
que foi salvo pelo gato,
um namorador ligeiro,
que na fera deu um trato!
Cheiro de cobra sentiram...
Pescador foi enrolado!
Mas após tomar pedrada,
o bicho foi assustado
e fugiu deixando o homem,
de corpo todo quebrado!
Então pra salvar o homem,
Roberto foi procurado,
era o pesquisador,
do jornal já mencionado,
mas nesse primeiro instante
nada disso foi notado!
O mito da Cobra-Grande,
— a Boiúna! — foi narrado,
no princípio a cobra tinha,
fruto de tucum guardado,
com a noite dentro dele,
onde escuro foi selado!
Mas abriram-lhe os homens,
dias foram apagados,
noite eterna tomou conta,
‘té que foram restaurados
por Boiúna que tornou
em macacos os culpados!
Pilar nota que Roberto,
tendo a ele observado,
era o pesquisador
no jornal fotografado,
mas decide esperar
pra abordar o pai achado!
E pelas icamiabas,
foi o grupo aprisionado,
observando o ritual
por guerreiras realizado,
eram índias amazonas,
mas Pilar ficou de lado!
O colar muiraquitã,
em Roberto colocado,
revelou o amor à líder,
com seu brilho ritmado,
e Pilar o deu a Breno,
que brilhou do amor guardado!
Dia após à aventura,
o segredo foi contado:
“É você meu pai, Roberto?!”
Respondeu, emocionado:
“Eu não sou, infelizmente…”
Choro e pranto revoltado!
No caminho para casa,
em Belém, lá no mercado,
em Salinas, praia linda,
foi o choro apaziguado:
“Mas será que encontrarei
meu paizinho tão amado?!”
Já em casa, descobriu,
a mãe tinha um namorado,
que cuidou do seu gatinho,
que fugiu desesperado
e sumiu na rede mágica…
Livro dois já foi lançado!
Flávia Lins quem escreveu
este livro que refaço,
num cordel pro professor
que trabalhou passo-a-passo,
quem quiser, que o declame
se a memória for de aço!
31/05/2026
Felizes Desde Sempre
no Reino de Tudo-Bem,
alguém com quem
estava tuuuudo
“muito bem”.
E sendo assim,
FIM
(a felicidade faz histórias ruins)
01/05/2026
O Pato de Pato Branco
30/04/2023
Sopa de Letrinhas
Sopa de macarrão
Tem sopa de abobrinha
Sopa na refeição!
Tem sopa de lentilha
Sopa de almeirão
Tem sopa de ervilha
Sopa tem de montão!
Sopa tem batatinha
Há sopa de agrião
Sopa tem cebolinha
Há sopa de feijão!
Sopa tem capuchinha
Há sopa de melão
Sopa tem ardidinha
Pra tudo "quié" João!
Sopa primordial
É sopa científica
Da vida original
Teoria magnífica!
Mas sopa de abobrinhas
A pseudocientífica
Mente nas entrelinhas
E apela pra política
Creme pros importantes
Traz canja, a enfermeira
Caldo para gestantes
Faz mimo, a cozinheira
Sopa pros visitantes
Receita bem ligeira
Pronta está em instantes
Se feita a sua feira
Com gente esfomeada
Ainda há solução
A tática é testada:
Bota água no feijão
"Feijão?! Mas não é feijão
É só sopa, 'cê não viu?"
Se da água não gostou
Chapeuzinho te serviu
Mas vou parar a arte
Termine a refeição
Não comeu sua parte?
Deu sopa, meu irmão!
28/07/2022
Lógica Circular
Eles dizem:
"Pois ter metro
e setenta
de altura
é ter boa
estatura."
Como sabem:
"Temos boa
estatura:
o bom metro
e setenta
de altura."
Que loucura!
28/12/2021
A Invenção da Tampinha
Muita coisa se inventou,
coisa nova e criativa,
desde a roda se dá show,
nesta bela iniciativa.
Sua nova invenção,
ó, tampinha inventiva,
muito prosa de emoção
deixou todos que cativas.
Se tamanho te faz falta,
não te apures, ó amiga,
esta mente é mais alta,
ó, que levas na barriga.
Se por fome a inventaste,
com tamanho de formiga,
éres grande, já pensaste?
De intelecto e de lombriga.
( POU! )
O poema arrefeceu,
acabou de forma abrupta,
a tampinha me bateu,
a tampinha ficou xucra.
25/12/2021
A Casa do Tio Bilac
Na casa do meu tio Bilac,
Seu relógio nunca faz tic,
Sempre faz tac.
Quem tem tic é meu tio Bilic,
Deixa nervoso o tio Bilac,
Que dá chilic.
(Ou dá chilac?!)
Sei que gosto do tio Bilac;
Quando o relógio faz tac-tac,
Tem chocolate.
O tio Bilic tem muito pic;
Com ele, triste, não tem quem fic.
Um beijo chuac, o pato quic.
(Não era quac?!)
Na casa do meu tio Bilac,
Seu relógio nunca faz tic,
Só faz só tac.
É que ele teve um piripac;
Lhe deu atac do ponteirão.
Agora quando tic-taqueia,
É com sotac, tem jeito não.
Tio Bilic, relojoeiro,
Quis arrumar tal badulac,
Mas seu tic, o tempo inteiro,
Descompassava seu plic-plac.
Assim se foi, que no tio Bilac
Não tem mais tic, só tem o tac.
Então fiz este poema
Como meu tio, que nisso é crac.
(E o que houve com o pato
Que fazia quic, em vez de quac?
Foi pra panela, a gente NHAC!)
24/07/2021
O Que é Poesia¿
— Explique o que é
poesia! Ninguém consegue!
— Poesia
é
brincar
com
palavras
como
se
brinca
com
bola,
pipa,
peão.
Só
que
bola,
pipa,
peão,
gastam.
Palavras
não.
Bola,
pipa,
peão,
são
o
que
são.
Palavras
são
o
que
cabe
na
i
m
a
g
i
n
a ç ã
o.
— A poesia não é como a pipa, a bola e o peão!!!
Não é uma coisa concreta!!
Não posso pegar!
Você está louco, maluco!!
Fala coisa com coisa, mas só de coisas do ar!!!
— A
p
o
e
s
i
a
n ã o é
concreta
c
e
o
d
m
e
o
r
a a
p
(toc, toc, toc)
mas é concreta na vida.
Como o amor que você sente por sua mãe.
Ou os sonhos que tem para seus filhos.
Eles movem você.
A poesia também pode movê-lo.
Você só precisa deixá-la
p
o
e
m
a
r.
(Trecho inicial inspirado em Convite, de José Paulo Paes.)
A Juventude Está Perdida!
Como é possível?
Que você diga, hoje, que não crê
em como o hoje está assim tão ruim
e que antigamente, sim, que era bom?
Pois, sim? Como assim?
Sendo que em 1980, quarenta anos atrás, sua mãe dizia, vivaz:
"Ah, não! Isto não está bom!" Assim, em alto e bom som, falava
com saudade de antes ainda, saudosismar que inda não finda,
coroado pela célebre frase: "Antigamente-é-que-era-bom!"
Porém, embora, contudo, no entanto, entretanto, outro tanto
de quarenta anos atrás, há mais tempo e mais tempo pra trás,
naqueles anos quarenta, a mãe de sua mãe, dona Benta, dizia:
"Está péssimo!
Horrível,
bisonho,
medonho,
tristonho,
enfadonho;
deponho!
Seu tempo?!
No-jen-to!
Meu tempo?
Meu tempo, sim, era um sonho!!"
Mas...
em 1900, quarenta anos a mais (a menos),
adivinha? A mãe da mãe de sua mãe (bisavó),
como a mãe da mãe da mãe de sua mãe (tataravó)
antes dela, gritava de alguma janela
para as jovens que passavam
(de fora as canelas):
"A juventude está perdida!
Pervertida, desinibida, coisa mais descabida!
Hoje, não é possível! Antigamente, sim, era incrível!
Não se faz nada como antigamente!
E este povo é todo indecente!"
Repetindo tudo que se diz
— hoje e sempre!
Será que, hoje e sempre, todo mundo só mente?
pois com o passar da vida e o chegar da idade estendida,
para todos, hoje e agora, ontem, outrora,
a juventude está mesmo perdida.
O passado é como caixa de Pandora;
e só o que era bom permanece, lá dentro, guardado.
Lembre, sim, do que foi bom no tempo que foi embora,
mas não esqueça que ainda está vivo — vive! Comemora!
e que, por isso, o seu tempo, seu tempo ainda é "agora"!